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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Como seria um transplante de cérebro

Devagarinho, o mundo dos transplantes vai ampliando as possibilidades humanas. Além dos óbvios transplantes de coração, fígado e rins, já se fazem também os de pele, de tendões, ligamentos, bexiga, ossos. Em menor escala, de alguns nervos, vasos sangüíneos, joelho, laringe, traquéia, até mãos. Aí pela frente vêm os de maxilares, úteros e pênis.
Mas nenhuma dessas conquistas será tão espetacular quanto o transplante de cérebro, anunciado por um médico americano - o dr. Robert White, da Universidade Case Western Reserve. "Meus colegas e eu já demos os primeiros passos para isso", diz ele num artigo para a revista Scientific American. E como tirar um cérebro da caixa craniana é impossível, White está falando, na verdade, de transplante de cabeça.
Sua demonstração de como seria tal cirurgia é de uma frieza espantosa. Ele imagina uma sala grande, para acomodar equipamentos e duas equipes. Em duas camas próximas ficariam o corpo de alguém com morte clínica cerebral decretada pouco antes e o paciente candidato ao transplante. A temperatura e o fluxo sangüíneo dos dois seriam rigorosamente monitorados. Em dado momento, os dois times, em conjunto, fariam incisões simultâneas nos dois pescoços, separando tecidos e músculos, expondo as veias carótidas, jugulares e a medula de cada um. Em meio a detalhadas providências, todas cruciais, a cirurgia, resumidamente, consistiria em ir mantendo o fluxo sangüíneo nos dois organismos e ir religando aos poucos, entre um corpo e a outra cabeça, todas as artérias, nervos, músculos etc.
White adverte que, no atual estágio da medicina, o novo corpo manteria a pessoa viva, mas não está claro até que ponto ela poderia usar esse corpo. Há outro problema, de natureza nada científica: se um cérebro mudou de corpo, também as memórias, o controle nervoso e orgânico, a personalidade e os sonhos - se houver - serão transferidos. E, como isso é o que conta, o que houve, na verdade, foi transplante de corpo.
Este é que foi doado, e o cérebro é, de fato, "o titular" da nova vida. No universo religioso, isso traria questões cruciais: o espírito está representado no cérebro? Se o coração de quem doou o corpo vai continuar batendo por ordens de outro cérebro, quem sobreviveu? O próprio White se pergunta, no artigo, "como a sociedade aceitaria" esses conceitos. Diante deles, a questão ética da clonagem fica parecendo brincadeira. Como se percebe, a polêmica sobre memórias (e até mais que memórias) de uma pessoa em outra é uma discussão que está apenas começando.

Fonte: Gallileu

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